Acompanhamento Espiritual

Diz-me uma palavra!

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“Pai, diz-me uma palavra...” É assim que se dirigem os nossos irmãos da Igreja do Oriente ao seu Pai espiritual, a maior parte das vezes um monge, e às vezes um santo! Não é tão fácil, nos dias de hoje, encontrar um acompanhador espiritual, sobretudo aquele ou aquela, que o permanecerá na maior parte da nossa vida. E, no entanto, ser acompanhado é uma necessidade para aquele que deseja viver uma autêntica vida espiritual. Pois neste campo, sem ajuda nem conselhos, o cristão pode desanimar-se rapidamente, ou então cair em muitas ilusões!

Acompanhar espiritualmente significa etimologicamente: “caminhar com alguém com quem partilho o pão”.

Esta definição resumo bem o sentido da direção espiritual, particularmente em relação à Eucaristia. Não é o próprio Jesus, o nosso primeiro acompanhador e diretor espiritual, na nossa caminhada de vida e de fé? Pudemos ler no Evangelho de São Lucas (Lc 24, 13-35) um dos melhores exemplos de acompanhamento dado por Jesus. O que é extraordinário neste recito é a atitude pedagógica de Jesus como “acompanhador”: Sua grande discrição, Suas questões, Sua referência às Escrituras, Sua capacidade em não tornar ninguém dependente Dele, ao retirar-se na hora certa, Sua pedagogia de reconciliação com os Sacramentos e os Pastores da Igreja...

Esta experiência, se nós a desejamos profunda e durável, supõe uma total confiança no seu acompanhador, uma abertura do coração, uma releitura da sua própria história humana e a manifestação do seu ser interior e relacional... Supõe igualmente uma perseverança e fidelidade para com aquele (ou aquela) a quem confiamos a nossa alma e a orientação de nossa vida.

Este carisma de acompanhamento é um serviço de Igreja que participa na graça do Bom Pastor, que discerne entre as ovelhas, que estão bem guardadas no redil e aquelas que permanecem “desanimadas e prostradas” pois suas vidas estão sem sentido e sem direção!

Não esqueçamos nunca, que mesmo com o melhor conselheiro espiritual (caso ele exista!), é a própria pessoa que é a “diretora” das suas escolhas e decisões... O seu acompanhador poderá apenas sugerir, propor, sustentar e ajudar a partir do que foi vivido sem jamais tornar a pessoa acompanhada dependente dele!

Neste sentido, uma escuta obediente e dócil é necessária. Agostinho começou o seu caminho de santidade acolhendo uma voz de criança que cantava um refrão: “Tolle, lege!” isto é “Toma e lê!” Ele abriu a epístola aos Romanos e leu: “Como de dia, andemos decentemente; não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne!” (Rm 13, 13-14)

O acompanhamento não é uma partilha pontual nem uma confidência emocional e passageira, mas um percurso guiado na vida do discípulo de Cristo, chamado a ir até ao fim da sua vocação de Fé e Amor, no seguimento do seu Mestre.

“Como compreenderei se ninguém me guia?” (At 8, 31)

Que o Espírito Santo-Conselheiro, vos acompanhe, oriente e inspire através do vosso acompanhador! Boa caminhada!

Por Diác. Georges Henri Bonneval (Fundador e Moderador - Sementes do Verbo)