Como nasceram as Casas de Aliança?

Por Diác. Georges e Marie Bonneval - Casal Fundador da Comunidade Sementes do Verbo

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Tal como nós não tínhamos a intenção de fundar uma Comunidade de Vida, também não tínhamos a intenção de fundar uma nova estrutura de vida fraterna. Mas o Espírito Santo fala e conduz-nos também através dos acontecimentos, os encontros e as circunstâncias...

Há pouco mais de trinta anos, um casal na França interpelou-nos ao confiar-nos o seu desejo de viver um laço forte com a Comunidade, sem para isso ter que fazer um Ano Sabático nem entrar na Comunidade de Vida.

A partir desse momento, começaram as Casas de Aliança, uma dimensão fraterna, ligadas à Comunidade de Vida, para pessoas que desejam viver, em pleno mundo, segundo a espiritualidade da Comunidade. Foi então preciso buscar, qual a graça particular e específica que iríamos escolher para esses encontros? Quais os conteúdos e critérios essenciais?

O primeiro bispo que acolheu a nossa Comunidade na França, um dia declarou-nos: “O Carisma da vossa comunidade é essencialmente bíblico e eclesial.” Esta indicação pastoral confirmou-nos nessa direção: Palavra de Deus e Vida Eclesial.

A fonte das nossas reuniões cotidianas semanais das Casas de Aliança pode ser reconhecida nas reuniões das casas da Igreja primitiva, segundo a descrição dos Atos dos Apóstolos:

 “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna,

à fração do pão e às orações.”  (At 2, 42)

Por outro lado, na sua tradição milenar, a Igreja vive semanalmente, um Tríduo Pascal, que começa com a quinta-feira pela instituição da Eucaristia, na sexta-feira pelo jejum, associado à Paixão do Nosso Senhor, e estende-se até o Sábado com as Primeiras Vésperas da Ressurreição culminando no Domingo, Dia do Senhor.

A escolha da quinta-feira é significativa por ser uma oração centrada sobre a graça Eucarística, convidando-nos a rezar, com fidelidade e fervor, pela Igreja e seus Pastores, pelas vocações sacerdotais e pela unidade das famílias e das comunidades. 

É isso o que as Casas de Aliança vivem semanalmente na oração de mesa.

Após a refeição, todos se reúnem à volta da Palavra de Deus, a Bíblia, as Sagradas Escrituras, segundo o método e a pedagogia de estudo da Comunidade Sementes do Verbo. Trata-se de viver um percurso bíblico estudado, partilhado, meditado, com uma necessária graça de assiduidade, que pouco a pouco, permite constatar uma transformação das nossas vidas, graças ao contato com esta Palavra Viva. E assim, os membros das Casas de Aliança que trabalham também seriamente e regularmente as Sagradas Escrituras fazem a experiência de uma profunda renovação da sua fé e da sua vida espiritual.

E finalmente, falemos da dimensão fraterna que nasce desta frequentação assídua da oração e da Palavra que é uma grande riqueza.

“Como é bom, como é agradável, habitar todos juntos, como irmãos.” (Sl 133, 1)

Este presente dos irmãos não é o de um “clube” no qual uns escolhem os outros, segundo critérios bem humanos, mas é a realidade de uma

família eclesial de discípulos chamados e escolhidos pelo próprio Jesus.

As casas de Vida da Comunidade  constituem o coração desta família, a partir da qual, cada um se sente ligado numa “ida e vinda” constante e vital para o seu crescimento humano, comunitário e missionário.

Cada membro das Casas de Alianças pode por isso renovar anualmente, o seu engajamento pessoal, (como também em casal e em família) com a família espiritual Sementes do Verbo. Trata-se de um engajamento concreto na espiritualidade, no acompanhamento, nas atividades missionárias e na partilha fraterna regular. Assim, cada um descobre que:

“Há mais alegria em dar do que em receber”  (At 20, 35)

Há mais de trinta anos podemos constatar o crescimento e a fecundidade das Casas de Aliança, que se fortificam e se multiplicam na potência da graça do carisma Sementes do Verbo.

“E a Palavra do Senhor crescia. O número dos discípulos

multiplicava-se enormemente.”  (At 6, 7)